Diante da desintegração da seleção permanente de ginástica artística feminina, o Pinheiros foi o clube que fez o maior número de contratações: duas, Daiane dos Santos e Laís Souza. Mas, apesar do trabalho do clube paulista, quem realmente enfrentou uma batalha foi o Flamengo. A renovação com Daniele Hypólito foi tranqüila, mas a permanência de Jade Barbosa precisou de difíceis negociações.
Dias depois de completar 16 anos, a ginasta foi o grande destaque entre as brasileiras nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, com três medalhas conquistadas, uma de cada cor. Aquela, porém, era apenas sua primeira grande competição como atleta profissional. Meses mais tarde, brilhou novamente ao garantir o bronze no individual geral do Mundial de Stuttgart. Até então, Jade não recebia salários do Flamengo.
No início deste ano, porém, as negociações para a permanência da jovem ginasta no clube foram feitas baseadas em números. O pai e empresário da atleta, César Barbosa, exigiu uma quantia. O Flamengo propôs outra, inferior, e quase perdeu Jade, que recebeu oferta do Pinheiros e um convite de uma universidade norte-americana.
As conversas duraram uma semana, até que o acordo finalmente foi fechado. “Nós tentamos segurar apenas quando sentimos que o atleta quer ficar, e foi o que aconteceu com a Jade. Ela tem muito carinho pelo clube, deixando as coisas menos difíceis”, lembra Patrícia Amorim, vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo.
A dirigente admite que a negociação teve entraves. “O caso da Jade era muito específico, porque ela não recebia nada do clube. No ano passado, ela já fez tudo aquilo que a gente viu. Foi um meteoro. Nós tínhamos a preocupação que ela não pulasse etapas, porque era muito nova, só tinha 15 anos. Ficamos uma semana discutindo intensamente. Conversar e negociar com pai é difícil, porque ele é parcial. Mas deu tudo certo. Ela vai passar a receber um salário a partir de março, mas retroativo de janeiro”, conta Patrícia.
Sem falar em números, a vice-presidente do Flamengo explica que os contratos de Jade, Daniele, Diego Hypólito e Victor Rosa (esses dois últimos também atletas do clube e da seleção masculina) são diferentes. “O contrato de todos os atletas é individualizado, o pagamento é diferenciado. A Daniele e o Diego preferem receber como pessoa jurídica, por exemplo. Já a Jade ainda não definiu como vai receber”.
Para receber suas atletas após o fim da seleção permanente, o Flamengo terá que passar por algumas mudanças. O nome do novo técnico das ginastas ainda não está decidido, embora seja provável que o clube promova algum integrante da casa. “Nós temos o Ricardo [Pereira], que é assistente da Georgette [Vidor] e trabalha com as meninas em formação. É um cara a se pensar para treinar essas atletas que vão chegar”.